Atenção ao que se (T)Vê

Saulo Miguez

coluna-pense-nissoÉ triste ouvirmos um jovem brasileiro dizer que gostaria de viver em um país estrangeiro mesmo sem conhecer nada sobre a terra forasteira queira migrar apenas por acreditar que terá mais chance de se realizar lá do que aqui.

Essa desvalorização da nossa pátria mãe gentil por uma parcela dos seus filhos, se dá em função da histórica condição desfavorável a qual se encontra o Brasil desde a sua formação, ainda que este cenário venha sendo gradativamente transformado para melhor. No entanto, há também uma insistência por parte de alguns veículos de comunicação em mostrar o lado obscuro do país como se isso representasse o todo. O que é um engano. E isso agrava fortemente o sentimento de antipatriotismo.

A imprensa deve sim expor os problemas que nos afligem, uma vez que uma das funções do jornalismo é tornar públicas as fragilidades sociais para que estas possam ser solucionadas. Porém, há uma apelação em mostrar o que existe de ruim ao nosso redor sem a preocupação em solucionar o fato, sendo a exibição pura e simples da miséria o foco da reportagem. O que foge completamente da essência jornalística.

Esse show de horror, transmitido principalmente pelas TVs em pleno horário sagrado do almoço, surte um efeito completamente negativo nas pessoas que tomam aquilo como uma verdade absoluta e se sentem moradores de um faroeste sem lei. De modo que muitos, desesperançosos, passam a sentir repulsa do próprio berço e resolvem por isso deixar o país.

O que acontece, no entanto, é que diferente do que muitos imaginam no resto do mundo – mesmo nos países ditos do primeiro mundo – também existe injustiça social, criminalidade, preconceito e todos aqueles problemas com os quais estamos acostumados a conviver.

Para se ter uma idéia, de acordo com um estudo publicado pelo Instituto para a Economia e a Paz, os Estados Unidos da América, principal destino dos brasileiros que fogem em busca de melhores condições de vida, foram considerados mais violentos do que países como Brasil, Cuba e Argentina.

Portanto, ainda que viver em solo brasileiro não esteja sendo a mais fácil das tarefas é importante sabermos que o que muitas vezes nos é apresentado não retrata a nossa real situação. E cabe à população apurar os fatos para não se deixar levar pelo sensacionalismo de alguns veículos, para assim entender a real situação dos fatos e se posicionar de forma mais coerente e com uma opinião própria.

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