Essa Metamorfose Ambulante

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Cinco de Abril de 2014. Uma data chave para os moradores de Itapuã. O dia em que Juventude Itapuãzeira, organizou um encontro um grande encontro para discutir o projeto de requalificação da Orla de Itapuã. Nesta empreitada participaram estudantes, arquitetos, moradores, jornalistas, professores e representantes de movimentos sociais, em sua maioria jovens dispostos a fazer parte desta grande transformação urbana e arquitetônica em nossa comunidade. Em diálogo sentaram-se à mesa a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira Tânia Scofield, o arquiteto da fundação, Jorge Moura, o subprefeito da prefeitura bairro, Jackson Sousa, e o jornalista João Franco.

De início o Jorge apresentou o projeto. Após o esclarecer, a Tânia fez apontamentos para então o público apresentar as suas demandas e opiniões. O tempero debate ficou por conta de João Franco que trouxe consigo um trailer do saudoso documentário sobre Itapuã.  E assim, a mesa foi aberta com um delicioso clima de diálogo, onde o consenso ficou no resgate a memória do bairro, reinou em cada palavra de todos ali presentes.

E foi nesse embalo intelectual que um senhor de cabelos grisalhos, camisa branca e com firmeza na voz conquistou o direito a palavra. Era o professor Narciso, ex-diretor do Colégio Estadual Lomanto Júnior. Tudo bem que o professor tenha furado a vez de falar, mas acho que a sua indagação subiu a ponta da língua como se um grande atleta estivesse esperando o momento certo para dar o mergulho da vitória. E  foi assim dele surgiu uma pergunta que veio tocar bem no fundo de nossas recordações- Para onde foi a Metamorfose de Calazans Neto?

Acho que de todas as perguntas debatida, essa deixou muitos com a cuca atrás da orelha. O monumento, obra do pequeno grande Calazans Neto feito em ferro e revestido em fibra, mostrava-se ao público bem ali no largo de Cira. A obra alcançava 16 metros de altura e chamava atenção em meio a grande largo e prédios no seu entorno. Seus traços homenageia a Lenda do Abaeté misturando os elementos do pássaro, do índio e da magia da lagoa escura e da areia branca.

Convenhamos que a obra não era de agradar a gregos e troianos. Muitos falavam mal do monumento. Achavam ele feio. Outros o saldavam maravilhosamente.  O fato é que a polêmica foram se acentuando à medida que a fibra que revestia o metal não suportou a penetração do salitre que enferrujava o gigante. A corrosão virou o inimigo número não só do monumento mas também de muitas vidas que passavam sob o seu alcance. E foi assim que surgiu o dilema: O que fazer com a Metamorfose? Garantir a ele um fim grotesco ou reformar o expoente artístico?

Não tardou para que o governo tomasse providências. Tirou o gigante do altar e levou para reforma. Uma reforma com cara de adeus! Seria este o fim da Metamorfose?

O tempo foi passando e o altar continua vazio.  Hoje, A Metamorfose, agora ambulante, está fardada ao esquecimento. Não para algumas pessoas sensíveis ao resgate da memória, como é o caso do professor Narciso. Acho que sua pergunta foi mais do que um resultado da junção de palavras oportunas. Foi um estalar de dedos que mexeu com a cuca até mesmo de quem rejeitavam o gigante de ferro. E assim, a pergunta que ressoou nos corações de todos que estavam presentes era uma: Onde foi parar o Gigante?

A Metamorfose tem que voltar.

 

 

 

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