Itapuã, Itapuá, Itapoan, Itapoã, Itapuan, Ita…

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Apesar do idioma oficial do nosso país ser o Português, a língua de fato falada no Brasil diverge da falada em Portugal e na maioria dos países que têm o Português como língua oficial. Como diz o poeta Gabriel, O Pensador na sua canção “Racismo é Burrice”, “o Brasil colonial não era igual a Portugal/ A raíz do meu país era multiracial/ Tinha índio, branco, amarelo, preto/ Nascemos da mistura, então por que o preconceito?” E dessa mistura nasceu também um idioma considerado por muitos pesquisadores linguísticos como um dos mais ricos do mundo.

As três principais matrizes linguísticas – portuguesa, africana e indígena – que se encontraram na “língua brasileira” contribuíram de modo bastante significativo para que a literatura e a música feitas no Brasil se tornassem admiradas mundo a fora. Além do que, muitas palavras ditas corriqueiramente por nós são recheadas de história e possuem raízes mais profundas do que podemos imaginar.

Muitos bairros da cidade do Salvador, por exemplo, possuem nomes indígenas: Pituba, Sussuarana, Itaigara, Itapagipe, Piatã, Pirajá, Pituaçú, Itapuã, mas, muitos nem desconfiam disso ou sabem o que quer dizer cada um desses nomes.

O poético bairro onde viveram Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi tem como significado do seu nome a expressão pedra que ronca. Pois, segundo relatos, lá existia uma pedra que, antes de se partir, roncava na maré vazante. No entanto, há quem diga também que a palavra “Itapuã” signifique pedra da ponta; hipótese que ganha força ao consultarmos o dicionário e lá encontrarmos como definição do verbete itapuá: Arpão curto com ponta de ferro que se usa na pesca da tartaruga, do pirarucu etc. Var: itapuã.

No que diz respeito à grafia desta palavra, são alguns os sufixos que acompanham o prefixo “ita”. Itapuã, Itapoan, Itapuan… esta indefinição pode ser justificada pelo fato das palavras de origem indígenas terem sido grafadas pelos europeus, e por terem ao longo dos séculos passado por transformações, reformas ortográficas etc. Outro fato curioso decorre do fato do bairro de Itapuã (ou Itapoã, ou Itapoan) ser encontrado em outras cidades do nosso país. Como acontece, por exemplo, em Viamão – interior do Rio Grande do Sul – em Belo Horizonte, no Distrito Federal e na cidade de Paulínea, no interior de São Paulo, onde se localiza o Jardim Itapoan.

Porém,  foi na “nossa” Itapuã que o Poetinha escolheu viver. Foi aqui também que Dorival encontrou inspiração para compor as canções que circularam o mundo na voz de Carmem Miranda; aqui as ganhadeiras fazem viver o samba de roda e aqui – só aqui – é possível ver a Lagoa do Abaeté e todos os mitos que a cercam. O que nos leva a crer que de certo não há Itapuã como a que vivemos, independente do modo como escrevemos o seu nome ou do significado que seja atribuído a ele.

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