‘Não basta dançar, tem que ter respeito pelos antepassados’, diz rainha eleita pelo Malê Debalê

Redação

Expressão corporal e conhecimento sobre a história do Bloco Afro Malê Debalê foram alguns dos pontos decisivos na eleição do novo rei e da nova rainha que vão reger o Malê pelo próximo ano. “Não basta dançar, tem que ter referência e respeito por nossos antepassados. Não é simplesmente subir no palco e bailar, não. Existe uma mensagem”, garante a dançarina e coreógrafa Deyse Barreto, 37 anos, eleita a rainha do Malê Debalê ao lado do educador físico Alex Cruz, 25, novo rei.

(Foto: Itailuan Anjos)
(Foto: Itailuan Anjos)

Os novos representantes foram escolhidos durante a 38ª Noite do Negro e Negra Malê, realizada no último domingo (12), na sede do Malê, em Itapuã. Criado em 1979, o evento teve como tema Okê Malê! Sou Sertanejo! Sou Negro Forte!, em homenagem aos caboclos do sertão. “O rei e a rainha vão reger o Malê em 365 dias, então têm que ter um conhecimento grande não só de expressão corporal, mas da história, do que queremos para a comunidade negra, sempre buscando uma reparação para esse retrocesso grande que vivemos”, afirma o presidente do Malê Debalê, Cláudio Araújo, 40.

Eleitos por um júri composto por cinco pessoas, Deyse e Alex venceram o troféu Negro e Negra Malê e receberam três fantasias do bloco, além de R$ 2500. Os dois vão representar o Malê já no Carnaval e a agenda de apresentações começa quinta-feira (16), quando o bloco afro participa da Lavagem de Itapuã. No fim de semana, é a vez do Malê mostrar suas novas entidades no Fuzuê, que acontece sábado (18), no Circuito Orlando Tapajós (Ondina/Barra).

“A expectativa é muito grande! Meu sonho sempre foi ser a negra do Malê. É um bloco reconhecido, cheio de valores e que abre portas para nós. Através da dança, vamos representar a mensagem dos nossos antepassados. Ave Maria, é uma honra muito grande!”, comemora a rainha Deyse, que começou a dançar com apenas 10 anos, na Band’Erê do Ilê Aiyê, passou pela Band’Aiyê e já foi rainha do Bloco Afro Ókánbí.

Para Alex, que é educador físico, essa conquista representa a realização de um sonho. “Além disso, é a representação de 38 anos de luta, de resistência e, principalmente, de inclusão, da luta contra a intolerância. O Malê é isso, luta, resistência, tolerância”, vibra o novo rei.

O presidente do Malê Debalê, Cláudio Araújo, orgulha-se e reforça que esse concurso é onde o Malê faz sua afirmação. “O rei e a rainha fazem com que o corpo fale, sem a gente abrir a boca. Dentro disso, a gente eleva a moral e a autoestima dos nossos negros, não só no que diz respeito à cor, mas à ideologia e ao reconhecimento”, finaliza.

Fonte: Correio da Bahia

Next Post

Glaucoma: Segunda causa de cegueira no mundo

Glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível, que se caracteriza por uma lesão progressiva do nervo óptico, aumento da pressão intraocular e consequente perda de campo visual. Nas fases iniciais, o paciente tende a não perceber esta perda, porém em estágios avançados há acometimento da visão central, refletindo […]