O “boleirês”

Saulo Miguez

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Dentre as muitas variações do futebol praticadas pelos atletas amadores, uma exige habilidade e domínio de bola dignos dos profissionais do ramo. O “salão”, jogo cujo o objetivo é simplesmente trocar passes sem deixar que a bola toque o chão, é um desafio de paciência, precisão e controle, e a praia de Itapuã é o cenário perfeito para esta brincadeira.

Nas horas de maré seca a extensa faixa de areia que se forma à beira mar permite que rodas de três, quatro até seis atletas sejam formadas e então podemos presenciar longas sequências de passes entre eles que se equivalem às tabelas dos grandes meios de campo das super potências do futebol mundial. O mais interessante dessas rodas é que nelas encontramos crianças, jovens, adultos, idosos além de homens e mulheres disputando, ou melhor, interagindo em condições de igualdade.

Em outras variações futebolísticas, ou mesmo no formato clássico do jogo, é bastante incomum encontramos homens e mulheres dividindo o mesmo espaço, no entanto, no salão essa integração é possível, uma vez que nesse modelo de jogo – assim como acontece no frescobol – não há disputa e sim uma cooperação mútua entre os participantes. Nesse jogo todos são parceiros e a vitória de um é dependente do sucesso dos demais.

É bonito ver essas rodas de salão e perceber o diálogo que existe nelas. Diálogo este onde ao invés das palavras, os passes são usados como instrumento de comunicação, e assim na base da habilidade pessoas de diferentes grupos etários e de ambos os gêneros conseguem se entender usando a mesma linguagem: a língua do boleiro – o “boleirês”.

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