29 de novembro de 2020

Onde as corujas dormem

coluna-pense-nissoO ambiente altamente urbanizado, com excessivo número de postes e reduzido número de árvores e o ar sobrecarregado de poluentes, é indicativo de diminuição da biodiversidade. Diferente da maioria dos animais exóticos – sobretudo aves como pombos e pardais – os animais silvestres, ou seja, aqueles originários daquele lugar, necessitam de um ambiente equilibrado para se perpetuarem, coisa que a maioria dos centros urbanos não oferece.

No entanto, a caixinha de surpresa chamada Vida muitas vezes consegue milagrosamente proporcionar, em meio ao caos antropológico, condições para que as mais variadas formas de vida se perpetuem. E um desses milagres pôde ser visto no bairro de Piatã, mais precisamente na área que separa a pista da praia.

Ali, em meio aos ruídos ensurdecedores do trânsito e do ritmo frenético que corre no asfalto, um casal de Athene cunicularia, popularmente conhecida como coruja buraqueira construiu um ninho e conseguiu gerar filhotes. Como o próprio nome sugere, essa espécie se abriga em tocas e ou buracos no chão, e a ocupação desenfreada da superfície, seja pela construção de imóveis ou pela substituição da cobertura natural pelo concreto, faz com que esses animais percam espaço para construírem suas casas e consequentemente entrem em processo de extinção.

Por serem animais que estão no topo da cadeia alimentar, as corujas são essenciais para manter o equilíbrio do sistema, uma vez que controlam a população de outros animais –sobretudo roedores – que podem trazer problemas ao ser humano. Além disso, há ainda o espetáculo e satisfação de ter animais como estes residindo tão próximos de nós. Isso nos aproxima da natureza e nos dá a certeza de que preservá-la é algo que vale realmente a pena.