17 de junho de 2020

Respirar é preciso

coluna-pense-nissoChegou o verão e junto com ele as blitz rodoviárias. A ampliação do serviço nessa época do ano se justifica pelo fato da cidade estar mais movimentada nesse período e, principalmente, pelo aumento do consumo de bebidas alcoólicas, que é o principal fator responsável pelos acidentes de trânsito.

No entanto, outros problemas relacionados ao tráfego de veículos merecem atenção das autoridades, mas vêm sendo negligenciados. O principal deles talvez seja a emissão excessiva de gases tóxicos, que, além de um grave problema ambiental, representa também um sério risco à saúde.

Em vigor desde setembro de 2013, a Resolução Nº 452 do CONTRAN dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na fiscalização das emissões de gases de escapamentos de veículos automotores, e obriga os veículos a instalarem filtros de ar para reduzirem a emissão de partículas tóxicas. Andando pelas ruas de Salvador, percebe-se que esta Resolução não vem sendo aplicada e a população está sofrendo as consequências disso.

Os principais veículos emissores de gases são justamente aqueles que atendem a população. Os motores a diesel dos ônibus são responsáveis por quase metade da emissão dos gases do efeito estufa, e a predominância de veículos mal conservados e com tempo de vida útil extrapolado, transforma a frota de coletivos da cidade de Salvador em uma verdadeira ameaça ao planeta e à saúde pública. E é sempre bom lembrar que a tarifa cobrada na capital baiana (R$ 2,80) é a quarta mais cara do país, e em contrapartida o serviço oferecido não condiz com o valor cobrado.

É importante que as pessoas tomem conhecimento da Resolução 452/2013 e entendam os riscos que uma fiscalização deficiente podem trazer, isso dará subsídio a população para cobrar o que for necessário e fazer valer o direito de cidadão.