4 de setembro de 2020

Alea Jacta Est – A sorte está lançada

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O Dicionário de Expressões Latinas discorre de forma interessante sobre a expressão que dá título a esta escrita: “O Senado Romano, para garantir Roma contra o general que comandasse na Gália, havia declarado sacrílego e parricida quem atravessasse o rio Rubicão, que separava a Gália Cisalpina da Itália. Quando o Senado recusou a César o consulado e a continuação de seu governo, estando ele nas Gálias (atualmente região da Espanha), resolveu marchar sobre Roma e derrubar Pompeu. Às margens do Rubicão, hesitou, mas em seguida exclamou: alea jacta est, atravessou o rio e partiu para Roma, onde, triunfante, foi aclamado pelo povo”.

A afirmação feita por Júlio César é sinônimo de afirmação de que uma vez tomada uma decisão e praticado o ato, as conseqüências são irreversíveis e afasta totalmente a possibilidade de voltar atrás. Foi assim que me dirigi aos estudantes que, preocupados com o que haviam escrito na prova de redação, lamentavam não ter escrito melhor. Virei-me para eles e lhes disse: Alea Jacta est!!

Vale para tudo na vida. A flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida não voltam, diz o dito popular, mas em grande parte da nossa existência não atentamos para isso e esquecemos que colhemos o que plantamos. Os grandes nomes da história souberam entender isso. Tiveram a coragem e a intrepidez de atravessar o desconhecido e enfrentar suas consequências. O ditado não se aplica a quem fica esperando as coisas acontecerem e sim para os que entendem que para toda ação há uma reação e buscam oferecer de si o melhor que tem. Que sejam coisas positivas, quer sejam negativas, em tudo o que fazemos estamos lançando a sorte sobre nós mesmos.

O sábio Salomão afirma: “Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior”.  Foi esse princípio que conduziu a vida de Carl Brashear, o primeiro mergulhador negro da história dos Estados Unidos da América, cuja vida inspirou a produção do filme “Homens de Honra”. Foi a mesma disposição que moveu Betty Anne Waters, uma jovem semianalfabeta, garçonete e mãe solteira. Betty resolveu cursar Direito para livrar o irmão de uma acusação injusta que o levou à cadeia. A história também resultou num filme e serve como um modelo e um alerta para os que aderiram à filosofia Zecapagodiana. Serve-nos como exemplo, ainda, Benjamim Carson, considerado o mais burro da sala pelos amigos e professores até o dia em que resolveu atender às orientações da mãe e dedicou-se aos estudos. Mais tarde o menino negro e pobre tornou-se o maior neurocirurgião do mundo, por realizar cirurgias inovadoras nos primeiros sete anos de sua carreira, tendo ficado famoso por fazer hemisferectomias e separação de gêmeos siameses em um procedimento que, antes de ele ter tentado, era temido pela classe médica.

Poderíamos nos espelhar em tantos outros nomes que a história apresenta, mas é certo que podemos encontrar pessoas bem próximas de nós cuja vida foi regida por determinação e garra e que entenderam que a sorte lançada é, também, a ousadia de querer mais, de fazer diferente, de querer chegar aonde ninguém chegou. Alguns agem assim por causa dos sonhos acalentados, outros pelas circunstâncias impostas pela vida, mas fazem. Júlio César, Carl Brashear, Ben Carson e Betty Anne Waters fizeram isso e colheram os frutos da conqusita. Queiramos nós, à semelhança deles, fazer o mesmo.

KIA KAHA!!