“Cale a boca que eu quero falar”

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A língua é um instrumento de dominação e poder e a depender de quem dela faça uso, seus efeitos são impensáveis. É neste contexto que se instala um dos grandes entraves da sociedade moderna: a liberdade de expressão. Certamente que ela é uma das grandes conquistas dos cidadãos, todavia o problema se revela quando esbarra a questão na má fé ou nas limitações de um orador e/ou seu auditório, como classifica Perelmam os participantes de um discurso.

Que a todos é assegurado o direito de externar seu pensamento até o mais inculto e iletrado há de saber, daí a desobrigação de, aqui, entrar neste mérito. O que intriga é como esse direito tem sido exercido e como ele é recebido pelos envolvidos. Sob esse prisma é que surge o questionamento se de fato essa liberdade existe, sobretudo quando a agressão se personifica sobre os que pensam diferente do grupo estabelecido. É o caso, por exemplo, da cantora Joelma, ultrajada por uma afirmação que fez há alguns meses.

A artista afirmou ser contra a união civil de homossexuais e foi, por conta disso, “lançada na fogueira” pelos ativistas gays e por simpatizantes do movimento, obviamente com ajuda da mídia. Situação parecida vivenciou o humorista Danilo Gentili, que sofre um processo movido por um movimento, após fazer uma piada com o king-kong e jogadores de futebol. O grupo classificou as afirmações como racistas… A julgar pelo que se observa, Elis Regina, viva estivesse, seria chamada para cantar “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

O que se vê é uma “tentativa” de fazer com que todos falem apenas o que agrade aos ouvidos dos grupos minoritários.  Tais atitudes tem feito com que os que antes foram oprimidos sejam agora os opressores, inclusive com a “bênção” da Lei. Não se trata de validar como certo ou errado o que vem do outro e sim fazer valer o respeito nas relações e que os homens se enxerguem enquanto humanos que são. Não se trata, também, de questões que envolvem os grupos. Mesmo em questões de ordem acadêmica, nos espaços religiosos, no seio da família, é possível perceber as agressões a que são submetidos todos os que se opõem ao pensamento cristalizado e vê-se essas pessoas postas como “inimigas” do bem. Não defendemos a ideia de que tudo tem que ser aceito, mas pensamos que as pessoas devem ser respeitas em seu pensar e respeitar os que pensam e agem de forma diferente. A preocupação deve ser tratar os pensamentos que não se comungam com atitudes que gostaríamos de ver vindas da outra pessoa.

Dizem que a educação é o caminho para eliminar este mal uso da liberdade. Pode ser. Mas se cada pessoa começar a olhar o outro com o mesmo cuidado e atenção como o faz para si, certamente que a situação seria outra. Quando as pessoas entenderam que ao defender seu ponto de vista não podem agredir ao outro, como fizeram alguns manifestantes contrários ao Deputado Marco Feliciano, então os pensares diferentes se beijarão como a justiça e a paz.

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