Crônica em poesia

O centenário do eterno Dorival Caymmi marcou a última semana do mês de abril na capital baiana. Em toda a cidade, mas, sobretudo no bairro de Itapuã, Caymmi foi reverenciado e a sua obra cantada pelas milhares de vozes que se vêem representadas nela.

Além da beleza poética dos versos e das melodias marcantes, suas canções permanecem tão fortes no nosso cotidiano pela verdade existente por trás delas. Mais do que um poeta, Caymmi foi um cronista que retratou a vida de um lugar.

Enquanto contador de histórias, o artista não se preocupou com as grandes personalidades ou a alta sociedade. Ao contrário disso, escreveu nas suas colunas a vida dos Pedros, das Rosinhas, das Chicas, das Análias, das Marinas. Daqueles que não têm voz nem vez.

Dorival contou como ninguém a sofrida e imprevisível rotina dos pescadores. Narrou o medo que cerca esposas, mães, amigos dos homens que lançam suas jangadas no mar em busca do peixe do bom para terem com o que alimentar suas famílias. Realidade que, infelizmente, permanece a mesma.

Essa dura realidade levou ao longo do tempo muitos pescadores para os braços de Yemanjá, após um pé de vento que fez a jangada voltar só. Todos esses homens estão representados por Chico Ferreira e Bento, em “A Jangada Voltou Só”, mais uma crônica poética do Caymmi.

“João Valentão”. “A Lenda do Abaeté”. “Saudade da Bahia”. “Coqueiro de Itapoã”. São muitas as histórias contadas – cantadas – em versos que caberiam perfeitamente nas páginas dos jornais, nos encartes dos CDs, mas estão de fato registradas na areia da praia, nas redes de pesca e, principalmente, nos corações do povo.

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