26 de outubro de 2020

Mulheres agredidas, sociedade doente!

Ao voltar de minha caminhada diária ontem, resolvi descansar sentando num banquinho da praça próxima ao prédio onde moro. Contemplava o mar, as pessoas no seu caminhar quando fui surpreendido com os gritos de uma mulher, agredida pelo companheiro, como um bandido da polícia. Ela nada fazia senão chorar e encolher-se a cada tapa e murro. Tudo aconteceu em frente a uma delegacia, diante de policiais, que nada fizeram. Semana passada, do meu apartamento e já tarde da noite, podiam-se ouvir, também, gritos de outra mulher espancada pelo cônjuge. O barulho da agressão era ensurdecedor e revelavam o desespero de quem apanhava e a ira de quem agredia.

Situações como as duas aqui relatadas ainda parecem comuns em todos os lugares, em todas as classes, estando nós em pelo século XXI. As mulheres conquistaram espaços, assumiram posições antes só permitidas aos homens, deram o grito de liberdade e mostraram o seu valor, mas não conseguiram vencer a submissão aos monstros que elas escolheram como namorados ou maridos. Há tantos fatores que as colocam em situação assim e nós o sabemos, mas inquieta como uma pessoa pode se render a agressões baratas, desmedidas de meliantes que apenas maculam o gênero.

Segundo o IBGE, a cada ano mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no país, 10 morrem por dia, também vítimas de tal ação, cujo agressor, em 70% dos casos, se revela em seus maridos, companheiros ou ex-companheiros. Maria da Penha, Mércia Nakashima e Eliza Samudio são exemplos de como o “sexo frágil” é tratado em suas casas por aqueles a quem amaram e dedicaram suas vidas.

Para além disso, vê-se um gênero desrespeitado no âmbito do trabalho, nos centros de formação educativa, no seio do seu lar em todas as classes sociais, no meio artístico, nos centros acadêmicos. Esse desrespeito se revela nos salários baixos que as mulheres recebem, mesmo exercendo a mesma função que um homem e por vezes com posição acima dele. Apresenta-se, também, nas letras de músicas que as classificam como objetos de desejo e satisfação masculina, com a anuência de muitas delas. A ideia de uma só carne só se concretiza quando do encontro dos corpos e da realização do desejo, no ápice do prazer. Esse comportamento machista e animal ainda é observado nos destituídos de caráter e confiança própria, que controlam amigos, horários e gostos de suas companheiras.

É preciso dar um basta!! Se esses seres irracionais querem um ringue, deveriam escolher dividir a cama com alguém de igual força e característica. Por que não se deitam com outro homem e ensaiam surrar a outra parte? Primeiro: pensam que são homens apenas por carregam um falo e sentem atração pelo sexo oposto. Eles são machos, nada além disso, assim como o são o meu cachorro,  o gato da minha vizinha e toda espécie irracional. Segundo: são covardes, idiotas e fracos.

Os homens (no sentido puro da palavra) conseguem revelar em cada ação, em cada palavra, em cada gesto, em cada olhar o amor devido a uma mulher. Eles jamais levantarão a voz nem as mãos contra sua amada. Cuidarão dela e farão com que se sinta segura, protegida, honrada. Os que foram agraciados com a presença da melhor parte da criação deveriam se render aos seus encantos, reconhecendo sua importância, zelando para que sua vida seja carregada de alegria, de segurança, de amor, TODOS OS DIAS.

 

KIA KAHA!!

 

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