O grito que ainda não se ouve

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Há pouco mais de 10 dias dois protestos reverberaram no cenário nacional. A atual situação política do país motivou simpatizantes e opositores do governo a expressarem solidariedade e indignação para com nossos poderes Legislativo e Executivo, em ações que tomaram diversas cidades brasileiras e repercutiram demasiadamente na mídia.

Ambas as ações ocorreram sem maiores prejuízos para a sociedade, praticamente isentas de violência e receberam atenção dos formadores de opinião. Isso demonstra o quanto o regime democrático brasileiro vem evoluindo e como nosso povo tem demonstrado interesse em participar da vida pública do país.

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Acontece, porém, que após os protestos de dimensões nacionais, o bairro de Itapuã protestou contra a violência que a cada dia entristece mais o bairro. Moradores vêm perdendo suas vidas por motivos cada vez mais banais e famílias de um dia para o outro se vêem desamparadas pela ausência de um ente querido.

Apesar do motivo declarado do protesto ter sido a morte do morador Jackson dos Anjos, esse foi apenas o estopim da bomba. Na verdade, os moradores de Itapuã naquele dia 18 quiseram chamar a atenção para a violência e a impunidade que povoam não só o bairro como a nação como um todo.

O número de homicídios no Brasil é maior do que muitos países onde há guerra declarada. Segundo um relatório da OMS divulgado no ano passado, o Brasil é o líder mundial no ranking de assassinatos. A OMS estima que mais de 64 mil mortes desse tipo tenham ocorrido no nosso país no ano de 2012, algo assustador para um país supostamente em paz.

Jackson dos Anjos, infelizmente, aumentou ainda mais essa estatística. As perguntas que ficam são: até quando nossa sociedade viverá esse oculto estado de sítio e quando os gritos de dor daqueles que ficam serão de fato ouvidos? Talvez a resposta da segunda questão seja a chave para a responder a primeira. Pensemos nisso.

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