Pimenta nos olhos dos outros NÃO é refresco

Saulo Miguez

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O Movimento Passe Livre atingiu praticamente todas as capitais brasileiras, outras cidades menores do Brasil e tem colocado o nosso país sob os olhares atentos do mundo. A terra do samba e do futebol vem passando por um momento que muitos, inclusive boa parte dos brasileiros, julgava improvável; estamos fazendo revolução de fato, indo às ruas, reivindicando os nossos direitos e colhendo os doces frutos dessa luta.

Como é de se esperar nesse tipo de situação, o aparato repressor do Estado, a Polícia, tem agido de maneira um tanto quanto equivocada em determinados momentos das manifestações. De fato, a Polícia Militar tem a obrigação de manter a ordem na sociedade, mas, muitos manifestantes pacíficos do Passe Livre vêm sofrendo com a falta de preparo técnico e psicológico deste órgão.

Esse amadorismo tem sido um dos grandes responsáveis pela instabilidade das manifestações. A adesão de pessoas de diferentes classes sociais, categorias profissionais e principalmente idades, criou uma massa reivindicadora bastante heterogênea, e isso é bem significativo por mostrar que a insatisfação e a vontade de mudar o curso das coisas é geral. Mas, o ônus disso é que quando se tem pessoas pouco experimentadas a este tipo de situação qualquer explosão ou o leve odor de pimenta no ar podem causar sério tumulto. E a polícia, que tem como missão manter a paz, deveria considerar tais fatores antes de traçar a estratégia adotada.

Contudo, mais do que os olhos daqueles que receberam vorazes aerossóis de pimenta, a consciência da categoria política também está ardendo. Os ditos homens do povo perceberam que quem os elegeu têm sim poder para destituí-los dos cargos, e fazendo jus ao seu hino o povo brasileiro não está fugindo e exercendo as suas obrigações de cidadãos.

Essa transformação pela qual estamos passando deve chegar também ao íntimo de cada brasileiro. De modo que cada um de nós possa reduzir os R$ 0,20 de corrupção existente dentro de si e assim nos tornarmos cidadãos melhores e, consequentemente, mais aptos a exigir os nossos direitos.

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