10 de outubro de 2020

Por um mercado que nos represente

 

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A sensação não é de alívio, mas sim de pura tensão. Finalmente será demolido nesta sexta-feira, 10, o Mercado Municipal de Itapuã. Faz 23 anos que o espaço não recebe ao menos uma reforma digna. Apenas “armengues” realizados em épocas de eleição. Nos últimos anos o descaso tomou conta do mercado que sofreu tremendamente com o abandono das autoridades. O lixo e os entulhos sempre fizeram parte do cenário da Rua Genebaldo Figueiredo, um dos acessos mais conhecidos do bairro.

A proposta de reconstrução da prefeitura já não convence os comerciantes locais. São anos de conversas… promessas… E a história é sempre a mesma. Quais as garantias de que aquela bela ilustração divulgada pela prefeitura sairá do papel? Quais as garantias de que os comerciantes irão assegurar os novos permissionários?

Hoje o mercado demonstra os sinais da sua partida. O conjunto de permissionários já não responde as intempéries do tempo, mascaradas pelos garranchos patrocinados pela corrupção. O espaço, hoje, cheira a fezes e urina misturada aos restos de peixes e frutos do mar. Com o abandono do espaço e a suspensão da energia, as coisas só pioraram. O que vemos por agora é um cenário de abandono total, muito bem aproveitado por moradores de ruas, ladrões, prostitutas e usuários de drogas.

Bom ressaltar que o mercado municipal é um dos principais pontos de referência do nosso bairro. Os pratos regionais, os peixes e frutos do mar, as carnes, a farinha… Em fim! Tudo isso nos faz lembrar de um mercado que sobreviveu ao abandono e superou, de certa forma, as adversidades. O nosso mercado e o seu entorno são, com certeza, a cara de Itapuã: tem tudo aquilo que nossa cidade representa, mas ninguém explora o seu potencial. Quem sabe agora, com a demolição, as nossas esperanças ressurjam das cinzas e dos escombros do nosso tão adorado mercado.

Itapuã merece respeito!