22 de outubro de 2020

coluna-perspectivas

Salvador é uma cidade nomeada de muitas maneiras. Expressões como “Terra de todos os Santos”, “cidade do axé”, “terra de São Salvador”, são exemplos de frases que caracterizam e dão referência a nossa tão diversificada capital. Mas existe um apelido que tem me chamado atenção nos últimos anos. Estou me referindo à expressão “Roma Negra”

Não que eu discorde da origem, pois sei que ela surgiu com a melhor das intenções. É que Roma já foi o centro da igreja católica, fato este associado com a ideia de uma Salvador majoritariamente negra e herdeira da cultura e a religiosidade africana. Assim, da mesma forma que Roma foi o centro do catolicismo, Salvador seria, portanto, o centro do candomblé.

Acho bastante justo esta consideração a partir deste ponto de vista. O problema é que existem duas coisas que me vem à mente quando penso na expressão “Roma negra”. A primeira corresponde à famosa política do “pão e circo”. Não importa se os problemas da sociedade, o que importa é dar a elas bebida e os espetáculos públicos, a fim de ofuscar o sofrimento e aliviar possíveis tensões.

A segunda refere-se às liberdades, principalmente quando nos referimos ao sobre o sexo e algumas outras condutas do cotidiano daquele período. Isso me leva a pensar nas possíveis semelhanças com a nossa sociedade cada vez mais vulgarizada…