5 de setembro de 2020

Veja porque é bom passar uma tarde em Itapuã

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Se nos dias atuais a tranquilidade dos tempos passados já não existe mais, a urbanização não substituiu o encanto e o romantismo do charmoso bairro de Itapuã. O bairro é um dos subdistritos de Salvador, nele, está localizada a praia que lhe deu o nome, além de outras tantas bastante frequentadas pela população local e pelos turistas.

Itapuã ainda possui outras atrações, como a lagoa do Abaeté e o farol de Itapuã, além de vários hotéis e loteamentos de luxo.

Apesar da mudança de bairro bucólico para um dos mais populosos da capital, o local ainda retrata a poesia do cotidiano do bairro encantando moradores e visitantes.

Itapuã está situada após o bairro de Piatã, fazendo limite com o Bairro da Paz, São Cristóvão, Stella Maris e com o município de Lauro de Freitas, Região Metropolitana do estado.

Além de estar protegida por arrecifes, as águas tranquilas e piscinas naturais para banhos de mar, bem como ondas fortes para a prática de esportes nas proximidades do Farol são um dos atrativos do bairro que inspirou composições de grandes nomes da música popular brasileira como Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes e Toquinho com as canções: “Saudades de Itapuã” e ” Tarde em Itapuã” que já fazem parte do inconsciente coletivo.

Aos finais de semana, visitantes lotam as praias. Outro atrativo é o famoso acarajé de Cira no Posto 12, região onde é possível encontrar uma diversidade de comércio variado, pousadas e hotéis como o Catussaba, o Mar Brasil Hotel – o qual abriga a casa onde viveu Vinícius de Moraes entre outros.

No bairro está localizado também o patrimônio ambiental e turístico (tombado em 1987) Parque Metropolitano do Abaeté ou lagoa do Abaeté (como é conhecido), com criação em 1993, cujo acesso se dá pela Avenida Dorival Caymmi.

São mais de 12 mil metros quadrados de preservação que transformam o espaço num dos maiores centros de lazer ecológico do Nordeste, onde foram criadas a Casa das Lavadeiras, com a intenção de evitar a poluição da água com a lavagem de roupa e a Casa da Música da Bahia que reúne um acervo de música, vídeo, fotos, livros e instrumentos musicais que retratam as qualidades da música baiana.

Casa da Música

Amadeu Alves, coordenador da Casa da Música e responsável pela criação das Ganhadeiras de Itapuã- (mulheres de pescadores que vendiam seus serviços nas ruas para contribuir no sustento da casa), diz que apesar do progresso a das dificuldades enfrentadas com a modernidade ainda existe, por parte dos moradores, um forte interesse em manter a cultura do bairro. “Existe uma identidade de pertencimento nos moradores de Itapuã. E manter o calendário de atividades culturais do bairro é importante para resgatar e unificar a cultura original”, destacou.

Atualmente as ganhadeiras participam de apresentações de artistas da terra e de fora como os cantores Luiz Caldas, Mariene de Castro, Jorge Vercilo dentre outros.”

A música “A preta de Dorival Caymmi canta a história dessas mulheres de pescadores que enfeitadas, com alegria e sensualidade ajudavam seus maridos, seja vendendo acarajé ou lavando roupas de ganho. O canto sempre esteve presente na vida delas e o apoio dos artistas é de grande importância não apenas no resgate da cultura, mais também da autoestima”, disse.

A casa da música abriga um rico acervo da história da musica na Bahia com vídeos, documentário, palestras, além de funcionar com uma espécie de centro comunitário usado pela população para ensaios e demais atividades relacionadas a musica e arte.

O espaço também realiza exposições além de abrigar nas instalações a fubica, primeiro trio elétrico usado por Dodô e Osmar em 1950. Além das oficinas de música, violão, violino dentre outras. Segundo Amadeu, a casa foi fundada em 1993 junto com o Parque Metropolitano do Abaeté recebendo mensalmente cerca de mil visitantes não apenas do bairro, mais das adjacências.

Cultura da Pesca

Tirar do mar o sustento para a família ainda é cenário nos tempos de hoje, é o caso de Davi Sebastian, nascido e criado em Itapuã, ele conta que aprendeu a pescar ainda criança com o pai e nunca mais abandonou o oficio. Atualmente ele tem um quiosque no Colônia de Pescadores da rua K.”Eu sou filho de Itapuã, esse é o lugar que escolhi para morar por causa do mar, e pescar é minha vida, é de onde tiro o sustento do dia”, disse. No entanto, de acordo com o Geraldo Costa, pai de Davi e um dos pescadores mais antigos da colônia “o mar não está para peixe”. O motivo são as dificuldades enfrentadas pelos pescadores nos últimos anos devido as condições de logística da colônia.

“A única oficina que tínhamos foi ocupada por materiais de barraqueiros. Outra dificuldade é a falta de um banheiro decente para os pescadores e clientes. As vezes temos a sensação de que Itapuã é esquecida pelo poder publico”, desabafou.

Outra queixa grave feita pelos pescadores é referente a falta de um auxílio pesca durante o período de desova dos peixes. ‘ Isso é um grande problema para todos nos, porque quando a pesca é feita com os peixes ainda em desova além do risco de extinção também temos um alto custo com as despesas de embarcações como óleo e alimento durante os dias que ficamos no mar. Infelizmente, o preço reflete no repasse para o consumidor, explicou Davi.

De acordo com o biólogo Joca Moreira, que acompanha os pescadores na colônia, nos últimos dois anos, houve uma redução no tamanho dos peixes devido a pesca fora de época. “ Seria importante um apoio financeiro para que esses pescadores além de obter conhecimento também pudessem se manter durante o período de desova”, explicou.

História

Em 1873, sobre a Pedra da Piraboca, o Engenheiro Zózimo Barrozo construiu, para sinalizar bancos de areia ali existentes e orientar a navegação marítima de Salvador, um Farol com 21 metros de altura, originalmente pintado de roxo-terra que emitia uma luz fixa branca, facilitando assim a navegação de embarcações que vinham de longe. Apresenta a forma de uma torre, toda em ferro fundido.

Em 1939 passou a ser pintado em faixas horizontais de cor branca e laranja e, em 1950, sua pintura foi novamente modificada para o branco e vermelho. Na década de 50, o bairro abrigou uma vila de pescadores que viviam do artesanato, da pesca e da carpintaria naval.

Fonte: Tribuna da Bahia