4 de agosto de 2020

VI Roda de Samba de Mulheres em Itapuã acontece nesse sábado (7)

“Minha religião é o samba, minha fé é em Deus”. Essas são as palavras de Francisca, sambista, cabeleireira, cantora e pandeirista, conhecida como “Kika Bastos”, homenageada da VI Roda de Samba de mulheres em Itapuã, que acontece nesse sábado (7), a partir das 17h, no Espaço Cultural Rumo do Vento.

A sua história com o samba vem de família, lá de Bonfim de Feira, onde ela nasceu e começou a ter contato com esse ritmo musical. Sua mãe e tios desde criança a levavam para participar dos sambas de roda, samba de viola, samba de sanfona. Aos 12 anos veio para Salvador e aos 20 passou a morar em Itapuã, quando passou a frequentar a barraca raízes, junto com seu tio Henrique, personalidade no bairro de Itapuã quando se trata de samba. Nessa época se interessou a tocar a marcação de baqueta, escolha que causou comentários discriminatórios por ela ser mulher e supostamente não aguentar carregar o instrumento. Kika, muito além do seu tempo, bateu pé firme e seguiu aprendendo o que se interessava. Na sequência, aprendeu com seu Tio Henrique a tocar pandeiro e depois passou a tocar rebôlo, chamado de marcação de mão.

Kika recorda que durante um bom tempo, na barraca raízes, o samba era feito com percussão e voz, não haviam cordas, depois outros sambistas incluíram a corda e passaram a fazer um sambão misturando samba de roda com partido alto. E desde estão nunca mais deixou as Rodas de Samba!!

Hoje, Kika continua sua buscar por se aperfeiçoar no samba, como também busca ensinar e acolher quem for chegando nas rodas, como ela mesma diz, “A roda de samba de mulheres é assim, quem sabe mais ensina quem sabe menos, e quem sabe menos também ensina. E assim nós fazemos essa troca, de experiência, de aprendizados, de empoderamento, fortalecendo essa corrente das mulheres no samba, mostrando que nós também fazemos samba de qualidade e queremos que os homens estejam junto conosco, pois lugar de mulher, é onde ela quiser”.