A rotina fora da rotina

Saulo Miguez

Mesmo conturbado o dia a dia em Salvador segue dentro de uma relativa normalidade. As pessoas saem de suas casas para seus trabalhos, pais levam filhos à escola, lojistas abrem e fecham seus estabelecimentos e tudo transcorre, na medida do possível, dentro do controle.

Isso só é possível graças ao funcionamento – que na nossa cidade estão longe de ser ideal – de determinados serviços públicos, sobretudo segurança e transporte. Esses dois elementos da sociedade moderna são, talvez, os principais alicerces mantenedores de uma rotina pacífica nas grandes cidades.

As disparidades sociais têm aumentado consideravelmente os índices de violência e o crescimento populacional acrescido da ampliação dos perímetros urbanos, elevou o tempo gasto nos trajetos casa/trabalho. Logo, ficar sem polícia e/ou transporte transforma rapidamente a rotina em caos.

O soteropolitano, por sua vez, tem vivido constantemente uma rotina fora da rotina. O caos tem sido a normalidade em Salvador. A greve da polícia levou medo à população e trouxe uma série de prejuízos materiais além de dezenas de mortes nas zonas periferias da cidade. Ainda sob os efeitos colaterais da paralisação policial, a cidade enfrentou mais uma greve dos rodoviários.

O caos nos pontos de ônibus revelou as fragilidades que uma cidade de quase três milhões de habitantes possui por dispor única e exclusivamente do transporte rodoviário para fluir. Dentre essas fragilidades, chamou atenção a institucionalização da ilegalidade nos momentos de crise. Nesse caso específico, dos transportes não regulamentados.

As tão perseguidas vans clandestinas assumiram o papel do “mocinho” nos horários nobres da TV,  salvando muitas pessoas que não dispunham de alternativas para ir e vir na cidade. As autoridades, por outro lado, fecharam os olhos para a situação; até porque se coibissem esses veículos os transtornos seriam ainda maiores.

Ou seja, a situação anda tão crítica que o infrator está tendo que resolver (à sua maneira) as atribuições delegadas ao Estado.

PS: Faltam nove dias para o início da Copa.

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