1 de junho de 2020

As lições de Madiba

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2013 será lembrado como o ano em que o grande pacifista do século XX deixou este plano para lecionar a paz em outras dimensões. Sabemos, porém, que o homem nada mais é que a sua própria história, e a história é eterna; vive no tempo e no legado que cada um construiu em vida, e se tratando de Nelson Mandela essa obra é colossal.

Sem dar um tiro Mandela dissolveu um dos regimes separatistas mais cruéis que a humanidade já teve o desprazer de viver. O apartheid sul africano oprimiu a maioria negra de uma nação forçando essas pessoas a viverem subalternas a minoria branca, que por uma questão de melanina, gozava dos plenos direitos civis e era considerada superior aos seus semelhantes.

Assim, durante quase quatro décadas o valor das pessoas na África do Sul foi oficialmente determinado pela tonalidade da pele, e infelizmente esse conceito (ou preconceito) ainda é bastante comum; por mais que não seja oficializado, pessoas ou mesmo entidades estaduais trazem consigo – como uma mancha que custa a ser lavada – a ignorância do preconceito racial.

Ao contrário daqueles que vêm o outro por aquilo que apresentam externamente, Mandela possuía o dom de ver o ser humano na sua essência, e essa visão apurada o permitiu governar uma nação dividida e derrubar barreiras que muitos julgavam impossíveis de serem rompidas; compartilhando com todos os direitos até então exclusivos aos brancos e combatendo os desmandos aplicados aos negros.

Nelson Mandela passou ainda praticamente 1/3 da sua existência arbitrariamente preso, e mesmo assim não demonstrou sequer traços de revolta com aqueles que o encarceraram. Essa postura demonstra a força e a consciência que possuía esse homem, que viveu em prol de uma causa e fez da paz o seu principal recurso para atingi-la.