Elas fazem a diferença em Itapuã

Redação 12

dia-da-mulherPara o Dia Internacional da Mulher – 8 de março, três gerações de mulheres, várias realidades e uma coisa em comum: a comunidade de Itapuã. Ana Clara, Leonice e Dona Zenaide são itapuãzeiras, mas, antes de tudo, legítimas representantes femininas. Conseguem ser formosas e fortes ao mesmo tempo, delicadas, mas sábias. A combinação destes atributos e outras competências fazem delas diferenciais em Itapuã.

Ana Clara

Com apenas 13 anos, Ana Clara Pirajá Santana já tem mais da metade de sua vida dedicada ao grupo Ganhadeiras de Itapuã, onde começou aos quatro. “Meu tio me levou uma vez para o encontro e lá comecei a aprender as músicas, as danças. Com o tempo fui participando também das apresentações”, afirma.

O grupo cultural reúne mulheres, crianças e alguns homens que recordam as cantigas, cirandas e o samba de roda. São lavadeiras, baianas de acarajé, domésticas, donas de casa, costureiras, músicos, professores, produtores e estudantes, como Ana Clara.

Todo o prestígio do grupo está na finalidade que foi construído: resgatar as tradições do bairro e homenagear as mulheres negras, as “ganhadeiras” – viviam da venda de produtos alimentícios transportados na cabeça dentro de tabuleiros – ainda da época em que Itapuã era uma pequena vila de pescadores.

Embora com o título da mais jovem entre as Ganhadeiras, Ana Clara não deixa dúvidas de que, na verdade, é uma veterana.  “Sou apaixonada por dança e pelas ganhadeiras. Nossa presença reafirma a valorização da mulher”, frisa.

Leonice Gomes

A filha de D. Niçu, Leonice Maria Gomes (55), aprendeu desde cedo o sentido de servir à comunidade, através do tradicional café da manhã, que há 26 anos acontece durante a Lavagem de Itapuã.

O trabalho idealizado por sua genitora transformou, inclusive, a identidade de Leonice. “Antes eu era a professora Leonice, mas depois que assumi a ação na Lavagem eu deixei de ser conhecida como educadora e passei a ser “Neinha de Niçu. Virei filha da comunidade”, conta.

A cada edição da Lavagem, Leonice beneficia cerca de mil pessoas. “Sei que estou representando a maior mulher do mundo, que foi a minha mãe. Através de um simples encontro promovido pelo café, eu consigo que por algumas horas as pessoas deixem de ser violentas, interajam, sejam irmãos. Eu também consigo mostrar às minhas filhas que existem outras formas de ser uma mulher representativa, diferente, servindo ao próximo”, afirma Leonice.

Zenaide Pereira

A terceira história é a Dona Zenaide de Oliveira Pereira (77), uma das precursoras da educação no bairro. Ela fundou e manteve por 38 anos a Escola Humberto de Campos. Pedagoga por formação, D. Zenaide construiu seu sonho e realizou o desejo de aprender de várias crianças e adolescentes.

“Quando pensei em construir a escola, eu não tinha um centavo na mão, conseguimos levantá-la com muita dificuldade. Para se ter uma ideia, os primeiros banquinhos foram feitos de caixotes reaproveitados”, diz.

Sem dúvidas, os percalços do começo foram superados pelas quase quatro décadas de trabalho e renderam bons frutos. D. Zenaide enfatiza que até hoje é reconhecida entre os moradores. “Muitos ex-alunos quando me veem na rua, me chamam de ‘pró’, o que é uma grande alegria”, festeja. “Tenho muito orgulho dos meus pequenos que hoje são profissionais formados, com carreiras de sucesso”, completa.

O crescimento da instituição trouxe também alguns problemas, de modo que a pedagoga foi obrigada a fechá-la. Mas, depois de 38 anos, a sensação é de dever cumprido?  D. Zenaide é enfática. “Gostaria de ter feito mais”.

Essas mulheres representam as centenas de exemplos que contribuem com o bairro de Itapuã. E, neste dia em especial, não poderiam deixar de ser destaque no nosso site. Parabenizamos todas as itapuãzeiras pelo Dia Da Mulher! Com o equilíbrio, força e sabedoria vocês tornam este lugar mais belo!

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