Itapuã das amendoeiras

Bruno Cardoso

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O sol sempre mostrou o seu esplendor nas belas tardes de Itapuã. Só que de uns tempos pra cá, a estrela mor do nosso sistema solar andou um tanto empolgada, fato este que tornou a poesia de Dorival Caymmi impraticável nas primeiras horas do turno vespertino. E nesse calor escaldante as sombras ganharam o status de “Oásis”, confortando a todos que necessitem da sua assistência. O problema é que as boas sombras, aquela das grandes árvores, estão entrando em extinção nos espaços urbanos, levando a humanidade se contentar ou com as filinhas na sombra postes, ou com os quadrados do pontos de ônibus, ou mesmo com as demais sombras, inexistentes entre os horários das 12 e uma da tarde.

E foi neste acalorado drama de todas as tardes que me lembrei das amendoeiras. Ah, as amendoeiras… Tão imponentes e tão necessárias! Pra quem não sabe, estou falando do nosso popularmente conhecido “Pé de Amêndoa”, ou Amendoeira-da-praia. Trata-se de uma grande árvore que pode chegar aos seus 35 metros de altura e é típica de regiões tropicais. Elas possuem um tronco rígido e folhas largas, bastante densas, ideais para nos proteger da chuva e do escaldante calor.

As amendoeiras, fizeram parte da história de muitos moradores de Itapuã. Junto aos coqueiros e as imponentes mangueiras, a árvore marcava presença em muitos lugares, oferecendo sombra, proteção e, claro, muitas brincadeiras. Quem é da minha geração ou da geração mais antiga, sabe do que estou falando. Quem nunca experimentou o sabor doce e ao mesmo tempo e amargo da sua fruta? Quem nunca viu a fruta amarrada numa linha de pipa, formando o balangandã? Quem nunca se entregou em uma luta contra a mãe natureza tentando quebrar a semente da fruta para saborear o minúsculo e saboroso “coquinho” ? Quem nunca subiu num pé de amêndoa?

Infelizmente, assim como as demais árvores de grande porte, as amendoeiras, coitadas, estão destinadas ao desaparecimento. É triste saber que não há espaço para o esplendor verde no mundo cinza da humanidade. Pouco a pouco as suas raízes, as suas galhas e os seus seus pequeninos moradores, vêm se tornando inimigas da ganância, da pressa e do comodismo de homens e mulheres cada vez mais insensíveis e individualistas.

E mais uma vez, Itapuã vêm perdendo outro símbolo da poesia de suas tardes poéticas. Assim como as casas de veraneio, as suas árvores estão desaparecendo e com elas, a nossa história e a nossa identidade. Dói o coração quando percebo a ausência das amendoeiras, sobretudo aquelas da praia da sereia que sombreavam as colônia de pescadores. Dói meu coração ao me contentar com a sombra do poste, sabendo que há tempos havia uma volumosa arvore que nos oferecia proteção, sombra e conforto aos nossos corpos e almas.

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