5 de setembro de 2020

coluna-pense-nissoVirou rotina no bairro de Itapuã encontrar vazamentos de água. Geralmente eles são fortes e duram horas, às vezes dias, até serem consertados. No momento de crise hídrica que o país está passando é difícil se deparar com situações como esta e não se indignar com o descaso com o qual o recurso mais precioso do planeta vem sendo tratado.

Vazamento próximo à Vila Militar. Foto: Pedro Lyrio
Vazamento próximo à Vila Militar. Foto: Pedro Lyrio

Certamente a responsabilidade por esse quadro é de toda a sociedade. No entanto, a parcela da Empresa Baiana de Saneamento e Água, Embasa, é um pouco maior do que dos demais.

No ano de 2012 o lucro da empresa foi de impressionantes R$ 124 milhões. Algo considerável para uma companhia pública que presta um serviço essencial para a sociedade. Nesse mesmo ano, o desperdício decorrente de falhas na rede, foi de 40%. A título de curiosidade, no Japão esse tipo de desperdício não ultrapassa os 3%.

O Relatório da Administração e Demonstrações Financeiras de 2013 da Embasa traz no seu quesito 8.2.1 a descrição do programa “Aprendendo a Usar”, que visa orientar a população sobre o uso consciente da água. A Embasa tem ainda investido em publicidade com o foco no cidadão, como se a culpa do desperdício fosse tão somente do consumidor. Algo no mínimo incoerente para quem estabelece o prazo de 24 à 48 horas para averiguar uma denúncia de vazamento.

O ex-governador Jaques Wagner declarou em entrevista que “a Embasa é uma empresa que não tem visão de lucro, todo dinheiro que recebe é para ser investido”. A dúvida que fica é que tipo de investimento vem sendo feito com esse dinheiro.

Pense nisso, itapuãzeiro.