Placa + Ford = Placafor

coluna-pense-nisso

Graças à ocupação dos povos indígenas que já habitavam a Ilha de Vera Cruz quando as caravelas portuguesas aportaram no Novo Mundo, diversas localidades da cidade de Salvador herdaram denominações tupis mesmo após a colonização lusitana ter se afirmado. Assim, bairros como Pituaçú, Itapuã, Sussuarana, Itaigara, Pituba e tantos outros mantiveram suas denominações pré-colombianas e, de alguma maneira, preservam a memória indígena no nosso dia a dia.

No entanto, existem aqueles casos aonde o batismo de um logradouro aconteceu muito após a chegada dos portugueses e de maneira bastante inusitada. Um desses casos se deu nos arredores de Itapuã, em uma das mais belas praias do litoral soteropolitano – a praia de Placafor – que, sobretudo nessa época do ano, concentra grande quantidade de banhistas diariamente.

placafor

A origem do nome “Placafor” se deu graças a uma placa publicitária da empresa automobilística Ford, que de tão chamativa virou ponto de referência: “lá na placa da Ford”. Certamente o jeito avexado de falar do nosso povo foi enxugando a expressão placa da Ford até transformá-la em Placafor. E pelo visto essa é a forma exata de denominar esse ponto.

Enxugar expressões e com isso reinventar a forma de se expressar é uma característica do brasileiro que se especializou em estados como Minas Gerais e Bahia. Neste, especificamente, “vamos em boa hora”, por exemplo, virou “vambora”, que virou “embora” e em alguns casos “bora”. “Velho” virou “vei”. “Não é”, “né”. “Você”, “cê”. E uma frase do tipo: Velho, você vai em boa hora, não é? Transformou-se em: Vei, cê vai embora, né? E ainda assim todos se entendem.

Hoje em dia não mais existe a tal placa da Ford, e há quem sequer desconfie que um dia ela esteve por lá, mas, a história existe e precisa ser conhecida para que possamos melhor entender o nosso lugar.

Next Post

Mulher morre após esperar 8 horas por atendimento médico no Alto do Coqueirinho

Uma mulher morreu na segunda-feira (6), após esperar por horas uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Joselita Moreira de Andrade, de 49 anos, sofria de lúpus e passou mal às 8h. A família, que mora no Alto do Coqueirinho, entrou em contato com o SAMU. A […]