Você já ouviu falar da Festa da Baleia?

DSC05437Morador antigo de Itapuã, o artista plástico,Ives Quaglia (54) é um dos idealizadores da “Festa da Baleia”, manifesto popular que começou em Itapuã no final dos anos 80. Mas, o que a baleia tem a ver com Itapuã?

Ives conta que o animal era essencial para uma importante atividade econômica na região, a extração do óleo de baleia. Assim, do século XIX, até o início do XX, Itapuã, Rio Vermelho e Itaparica funcionaram como polos de dissecação.

“Depois de capturadas, eram trazidas para cá para serem dissecadas para a produção do óleo que por sua vez, era exportado para a Europa. A finalidade era ser usado na iluminação e construção das casas”, diz. “Nesse processo, a população local aproveitava alguns resíduos como a carne, que tinha valor econômico e outras partes eram utilizadas para fabricação de cosméticos”, completa.

A ideia de resgatar a história, no entanto, surge no Carnaval de 1987, como um ativo para valorizar as festas de bairro. Naquele ano, Ives participou da decoração da cidade e construiu junto com uma equipe a primeira baleia, uma réplica do animal feita de madeira. A partir disso, o Carnaval de Itapuã ganhou novo significado. Estava lançada a Festa da Baleia que, em um carro alegórico, percorreu as ruas do bairro anunciando as atrações que aconteceriam no Carnaval.

Segundo Ives, o manifesto ocorreu no ano seguinte, mas depois não teve continuidade. “Foi aí que em 1990 os moradores se articularam e construímos uma nova estrutura. Desde então, a baleia abre as festividades do Carnaval de Itapuã no sábado e fecha na Quarta-Feira de Cinzas, quando vai ao mar em um cortejo liderado por blocos afro do bairro”, afirma. Atualmente é feita de madeira, com cobertura de isopor, papel, cola, tinta e verniz. A cada ano a alegoria desfila “vestida” com a temática do Carnaval.

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O artista lembra que hoje o mamífero é símbolo da preservação ambiental e a Festa da Baleia tem como cunho protestar contra a pesca predatória e relembrar a exploração da espécie. Em 27 anos, o cortejo se tornou conhecido e fez a baleia “viajar” para vários lugares. “A peça foi apresentada em uma importante exposição na Espanha, serviu de estudos em Abrolhos e já desfilou na Mudança do Garcia”, enfatiza Ives.

Fonte: ItapuãCity

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