Moradores de Itapuã sofrem com a falta de água frequente no bairro
   

Moradores de Itapuã sofrem com a falta de água frequente no bairro

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A falta de água em casa é sempre um transtorno, mas a situação piora quando a escassez do recurso é frequente. Moradores do bairro de Nova Brasília de Itapuã afirmam que enfrentam problemas quase que semanais quando a água vinda da rua não chega na localidade. Para aqueles que possuem reservatórios menores e moram com a família, o cenário é desesperador, em especial na Rua Sete de Setembro.  

Mesmo com as contas da Embasa em dia, Renata Sá, 42, estava sem água em casa nesta quarta-feira (30). Com um filho de apenas cinco meses, ela conta que a falta do recurso é costumeira no bairro e que seu dia a dia com o bebê é comprometido. “Hoje mesmo eu levei meu filho para tomar vacina e quando chegamos em casa ele estava todo sujo. Eu queria dar um banho nele e não pude”, conta.  

Como sua mãe mora sozinha em uma casa embaixo da dela e possui tanque próprio, Renata tem a sorte de poder pegar um pouco da água, mas para isso precisa subir uma escada bem íngreme. “Eu tenho uma vizinha que sempre que acaba água ela vai para a janela e grita avisando o pessoal […] Em um mês aqui falta água pelo menos duas ou três vezes, sempre está faltando aqui em Itapuã”, afirma.  

Renata Sá queria dar um banho no filho de cinco meses, mas não tinha água em casa nesta quarta-feira (30) (Foto: Maysa Polcri/CORREIO)

Maria (nome fictício), 42 anos, enfrentava um problema ainda maior na tarde de terça-feira (29). A professora mora na Rua Sete de Setembro com o esposo e três filhos há 18 anos e relata que a falta de água sempre foi uma realidade no bairro, mas que tem se intensificado nos últimos dois anos.

“É uma falta de respeito porque nunca somos avisados. Faltar água a gente sabe que acontece, mas na frequência que está sendo, duas ou até três vezes na semana, é um abuso”, desabafa a moradora. 

No dia em que conversou com a reportagem, Maria contou que a filha mais nova, de apenas 3 anos, ainda não usa o vaso sanitário e faz suas necessidades dentro do boxe. Sem ter água em casa desde a manhã, a mãe esperava a água voltar para limpar o banheiro. “Ela está no processo de tirar a fralda e se acostumou a fazer [as necessidades] no boxe, aí como estamos sem água o banheiro ficou um horror”, conta. 

No mesmo dia, o filho mais velho de Maria, o estudante Pedro (nome fictício), de 16 anos, estava se arrumando para sair de casa e não pôde tomar banho. “Atrapalha muito na nossa dinâmica do dia a dia e nas programações. Hoje mesmo eu estou me ajeitando para sair e está bem complicado por causa das circunstâncias”, diz. O jovem também conta que cuidar da irmã mais nova fica mais difícil quando falta água.

As divergências nos relatos dos moradores sobre a frequência em que ocorre a escassez pode ser explicada pelos diferentes tamanhos dos reservatórios das moradias. Um senhor que preferiu não se identificar, por exemplo, disse que não costuma sofrer com o problema uma vez que possui quatro tanques de 1.000 litros em casa. Mas essa não é a realidade da maioria dos moradores.  

A dona de casa Maraísa dos Santos, 38, tentava fazer faxina na tarde de terça-feira, enquanto contava para reportagem que já está há quatro dias sem água. Apesar de morar apenas com uma filha e uma neta recém-nascida, o tanque que atende sua casa também é dividido para as moradias da avó e da tia. “Não tem água para lavar a casa, nem as roupas e nem fazer comida. Os vizinhos nem podem socorrer porque também estão sem água”, diz.  

A dona de casa Maraísa enfrentava dificuldades para fazer faxina estando há quatro dias sem água (Foto: Maysa Polcri/CORREIO)

Para os moradores que estão por algum motivo sem tanque e dependem apenas da água que vem da rua, o cenário também é complicado. A aposentada Iraci Pereira, 79, mora sozinha e está instalando um novo reservatório na casa, enquanto isso, sofre com ausência do recurso. “Ontem eu e minha filha, que está passando um tempo aqui em casa, tivemos que tomar banho de balde. É um horror”, conta. 

Em nota, a Embasa afirmou que realizou aferição das pressões na rede de distribuição na manhã de quinta-feira (31) e constatou que o forncimento de água está ocorrendo dentro da normalidade na Rua Sete de Setembro. Segundo a empresa, em janeiro deste ano, a Embasa realizou a substituição de uma das bombas do sistema de abastecimento local.

A companhia ainda ressalta que o fornecimento de água em imóveis que não contam com as instalações didráulicas adequadas pode ser afetado em caso de variação de pressão ou manutenção na rede distribuidora. A Embasa diz ainda que de acordo com a reoslução 005/2019 da Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bhaia (Agersa), é dever do usuário dispor de reservação domiciliar dimensionada. 

Iraci, de 79 anos, precisou tomar banho com auxílio de um balde deviso à falta do recurso em casa (Foto: Maysa Polcri/CORREIO)

Moradores que sofrem com a falta persistente de águaa devem entrar em contato com a Embada pelos canais de atendimento para averiguação pontual através do telefone 0800 0555 195, agenciavirtual.embasa.ba.gov.br ou pelo aplicativo para celular. 

Comerciantes têm prejuízos com a falta de água 

Em frente a uma igreja no bairro de Nova Brasília de Itapuã, Maria Helena Oliveira, 52, trabalha vendendo lanches para quem frequenta os cultos ou passa pela região. Na cantina conhecida como Delícias da Dona Helena, a comerciante conta que acaba sendo prejudicada com a falta de água porque leva muito tempo para lavar a louça com água do balde.  

“Aqui falta água praticamente todos os dias. Tem vezes que acaba 10 horas da manhã e só chega de noite. Eu carrego água com um balde em que encho com a torneira que tem aqui perto, mas é horrível lavar a louça de caneco”, conta. Moradora de Areia Branca, Maria já morou em Itapuã anos atrás e afirma que a falta de água é comum especialmente no verão. 

O trabalho de Maria Helena é prejudicado quando há escassez de água no bairro (Foto: Maysa Polcri/CORREIO)

Bem perto da igreja, está o bar Bavi. O proprietário, Rogério de Jesus, também reclama da situação caótica que o bairro enfrenta. O comerciante que tem o estabelecimento há cerca de 20 anos afirma que possui dois tanques de reservatório, mas que recentemente desativou um deles, o que aumentou os problemas. Segundo Rogério, quando a água fica escassa, o movimento do bar cai e ele tem dificuldade de atender a clientela.  

“Já tem dois dias sem água no bairro, está difícil para trabalhar porque não tenho como atender o público. A água chega fraca e não sobe para as casas”, afirma. O comerciante, que mora em cima do estabelecimento, conta que paga cerca de R$ 200 por mês e que nunca atrasa as contas.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela. 

Fonte: Correio da Bahia