Black Christmas

Saulo Miguez

Todos os anos é a mesma coisa: lojas abarrotadas, crediários a perder de vista e décimos terceiros comprometidos com os embrulhos. Essa tem sido a marca do espírito natalino na sociedade de consumo. Mesmo com todas as crises econômicas que vão e vêm, aumento dos custos de vida e das contas que não fecham ao final do mês, o presente de Natal recebe tratamento prioritário.

Absorvemos como esponjas a enxurrada de anúncios, propagandas e nos convencemos de que consumir – ainda que não se tenha como pagar – é uma necessidade vital. Somos imbuídos da ideia de que não comprar significa não fazer parte do Natal. O que agrava a busca frenética pelos presentes.

É grande a sagacidade do comércio para distorcer o sentimento natalino e usar isso a seu favor. É comum utilizarem de publicidades associativas onde o presente comprado está intimamente relacionado ao bem-estar, ao reconhecimento e à congregação familiar. Peças publicitárias mostram famílias felizes ao redor de pinheiros de plástico, sorrindo e trocando presentes. Ou melhor, sorrindo porque trocam presentes.

A cada ano a máquina do consumo aprimora a sua capacidade de absorção. Já virou tradição nos shoppings sorteios de automóveis mediante troca de cupons por notas fiscais no valor de R$ 100, 150, 200; o que faz com que as pessoas, além de gastarem os tubos nas lojas fiquem horas nas filas de troca na esperança de ganhar um prêmio cujas chances são mínimas.

Assim, de ano em ano vamos nos afastando do real significado desta data e atendendo às demandas da TV, outdoors e demais mídias de massa. Com tudo isso, desejo a todos um Feliz Natal.

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